ATIVIDADE ANTIMICROBIANA Da Curcuma longa L. SOBRE Escherichia coli
1DEBORA MARINA BANDEIRA, 2VANESSA TIZONI, 3JULIANA PELISSARI MARCHI, 4LUCIANA PELLIZZARO
1Acadêmica do curso de Ciências Biológicas da UNIPAR
1Tutora do Sistema Semipresencial, Unipar
2Docente, de Estética e Cosmética, Unipar
3Docente da UNIPAR
Introdução: Curcuma longa L. é uma planta de origem indiana, conhecida também como açafrão, da Família Zingiberaceae (SILVA FILHO et al., 2009). Seus rizomas são usados na culinária devido à sua cor e sabor. Na terapia, destaca-se por sua ação antiparasitária, anti-inflamatória, inibidora da carcinogênese, antibacteriana, antiviral anti-HIV e antioxidante (SILVA FILHO et al., 2009; MARCHI et al., 2016). Essas ações se devem a três pigmentos principais: curcumina, desmetoxicurcumina e bisdesmetoxicurcumina (SILVA FILHO et al., 2009). Os produtos da cúrcuma comumente disponíveis são o pó de cúrcuma (curcumina comercial), a oleoresina (extrato etanólico), o óleo essencial e o extrato de curcumina. Escherichia coli é uma bactéria que se destaca como agente patogênico prioritário resistente aos antibióticos; pertence ao grupo mais crítico e é multirresistente, tendo capacidade inata de encontrar novas formas de resistir ao tratamento e pode transmitir material genético que permite a outras bactérias se tornarem também resistentes (OMS, 2017). É responsável por 80 a 90% das infecções adquiridas pela população e um dos agentes bacterianos mais frequentes em diarreias (ALMEIDA, 2013). A falta de qualidade higiênico-sanitária de alimentos e água torna mais fácil a evolução das cepas, tornando a pesquisa sobre o seu comportamento essencial para a saúde pública (DUARTE, 2006). O controle da sua propagação por meio de produtos naturais pode ser visto como solução viável.
Objetivo: Avaliar a atividade antimicrobiana da Curcuma longa sobre Escherichia coli.
Material e métodos: Rizomas de C. longa foram obtidos no comércio de Francisco Beltrão, PR, higienizados, secos e triturados para obtenção do pó. A partir do pó fez-se o extrato bruto etanólico (70:30) e deste, por meio de rotaevaporação, obteve-se a oleoresina (OR). O pó e a OR foram diluídos em tween 80 a 0,1%, em concentração inicial de 500 mg/mL.Cepas de E. coli padrão estabilizado foram ativadas e replicadas e então foi preparada uma suspensão no padrão 0,5 da escala de McFarland (108 UFC/mL), que depois foi suspensa (1:10) em solução salina estéril (0,9%). Os ensaios foram feitos com placas de Petri contendo 20 mL do meio MacConkey e alíquotas de 0,5 mL do inóculo. Em cada placa foram adicionados cinco discos estéreis de papel filtro (Ø 6mm) contendo 20 µL de OR diluída ou da suspensão do pó. Ambos foram usados em diferentes concentrações, que iniciaram em 500 mg/mL (100%) e foram diluídos sequencialmente em 250; 125; 62,5; 31,25; 15,62 mg/mL. Discos impregnados com o solvente e com amoxicilina e cloranfenicol foram usados como controle; também se testou a pureza da OR, da suspensão do pó e do solvente. As placas foram incubadas a 37ºC por 24 horas (MARTINS; RUSIG, 2010). Após esse período, foi feita a mensuração dos halos de inibição, quando formados, com paquímetro (NCCLS, 2003).
Resultados: Todas as concentrações da suspensão do pó formaram halos de inibição. Já para OR houve formação de halo apenas nas concentrações de 250, 125 mg/mL e 31,25 mg/mL. Os diâmetros dos halos de inibição variaram de 08 mm a 14 mm para a OR e de 04 mm a 56 mm para suspensão.
Discussão: A suspensão do pó mostrou-se mais eficiente como bactericida em comparação à OR considerando-se as diferentes concentrações. Péret-Almeida et al. (2008) avaliaram a atividade antimicrobiana in vitro por halo de inibição e não constataram atividade da OR e da curcumina comercial contra E. coli e sim do óleo essencial (OE) obtido por hidrodestilação, cuja atividade aumentou com o aumento da concentração. Semelhantemente, Negi et al. (1999) também verificaram inibição do crescimento de E. coli com OE. A atividade bactericida pode ser explicada pela ação no citoesqueleto bacteriano, pois conforme Kaur et al. (2010), a proteína do citoesqueleto, FtsZ, é fundamental na divisão celular procariótica e está presente na maioria das espécies bacterianas, mas pode ser inibida por alguns antimicrobianos, como é o caso da curcumina. Isso pode explicar o resultado da presente pesquisa. Em alguns estudos, o OE da cúrcuma não inibiu crescimento da E. coli, pois a variação da sensibilidade dos micro-organismos pode ocorrer também em virtude da tolerância de cada cepa em relação aos constituintes do OE, assim como devido à composição química, a interação entre os compostos e a concentração desses (FRANCO et al. 2007; NORAJIT et al., 2007). Kuhn et al. (2006) ao realizarem estudos com rizomas de cúrcuma de diferentes regiões observaram que dependendo da procedência ocorria uma maior ação fungicida. Considerando-se esses diferentes fatores é também possível entender porque em alguns estudos ocorre ação e não em outros.
Conclusão: A suspensão do pó de cúrcuma pode ser considerada um agente antimicrobiano contra E. coli, levando-se em conta a concentração utilizada. Já a OR, algumas concentrações não tem ação antimicrobiana. Tendo em vista a variedade de fatores que influenciam na ação bactericida, sugere-se a avaliação fitoquímica dos produtos testados, bem como a observação da procedência dos rizomas em estudos futuros.
Referências
ALMEIDA, A. M. S. Características biológicas e antigênicas de E. coli com ênfase aos genes de virulência. 2013. 30f. Seminário (Pós-Graduação Ciência Animal) Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.
DUARTE, M. C. T. Atividade antimicrobiana de plantas medicinais e aromáticas utilizadas no Brasil. Rev. MultiCiência, n.7, p.1-16, 2006.
FRANCO, A. L. P. et al. Avaliação da composição química e atividade antibacteriana dos óleos essenciais de Aloysia gratissima, Ocimum gratissimum e C. longa. Rev. Eletr. de Farm., v.5, n.2, p.228-88, 2007.
KAUR, S. et al. Probing the binding site of curcumin in Escherichia coli and Bacillus subtilis FtsZ--a structural insight to unveil antibacterial activity of curcumin. European J Med Chem, v.45, n.09, p.4209-14, 2010.
KUHN, O. J. et al. Efeito do extrato aquoso de cúrcuma em Xanthomonas axonopodis pv. manihotis. Seminário Ciências Agrárias, Londrina, v.27, n.1, p.1-20, 2006.
MARCHI, J. P. et al. C. longa: o açafrão-da-terra e seus benefícios medicinais. Arq. Cienc. Saúde UNIPAR, v.20, n.3, pp.189-94, 2016.
MARTINS, M. C., RUSIG, O. Cúrcuma: um corante natural. Boletim da Sociedade Brasileira de Ciênc. Tecnol. de Aliment., v.26, n.1, p.56-65, 1992.
NEGI, P. S.; et al. Antibacterial activity of turmeric oil: a byproduct from curcumin manufacture. J Agric. Food Chem, v.47, p.4297-300, 1999.
NORAJIT, K.; LAOHAKUNJIT, N.; KERDCHOECHUEN O. Antibacterial effect of five Zingiberaceae essential oils. Molecules. v.12, n.8, p.2047-60, 2007.
PÉRET-ALMEIDA, L. et al. Atividade antimicrobiana in vitro do rizoma em pó dos pigmentos curcuminoides e dos óleos essenciais da C. longa. Ciênc. Agrotec. Lavras, v.32, n.3, p.875-81, 2008.
SILVA FILHO, C. R. M. et al. Avaliação da bioatividade de extratos cúrcuma (Curcuma longa L., Zingiberaceae) em Artemia salina e Biomphalaria glabrata. Rev Bras. Farmacogn. v.19, n.4, p.919-23, 2009.